Quando falamos em provisionamento, estamos automaticamente nos referindo às despesas de um programa! E as receitas? Existem? São significativas?
Sim! Existem e podem ser extremamente significativas.
As receitas do programa dividem-se em diretas e indiretas. Receitas diretas são aquelas devidas diretamente pelo participante; enquanto as indiretas são as receitas obtidas através de mudanças no comportamento do participante.
Para tornar mais claro o entendimento, as receitas diretas podem ser entendidas como todas as taxas que o participante do programa paga para ter direito aos benefícios prometidos. As taxas mais comuns em programas de fidelidade são:
· Adesão: devida pelo participante ao se inscrever em um programa de fidelidade.
· Renovação: a cada período pré-determinado o participante é cobrado da taxa de renovação para ter o direito de continuar usufruindo dos benefícios do programa.
· Manutenção ou Mensalidade: normalmente os programas que efetuam uma cobrança mensal a título de manutenção do programa não cobram as taxas de adesão e renovação.
· Resgate: cobrada no ato da troca de pontos por prêmios.
· Eventos: conforme o programa de fidelidade há diversos eventos que geram cobranças (revalidação de pontos, antecipação, aceleração, etc.)
Estas receitas são incorporadas nos relatórios gerencias do programa e são proporcionais à quantidade de clientes participantes.
Tem sido prática comum no mercado adotar, especialmente para a taxa de resgate, valores diferentes para diferentes canais de resgate, por exemplo. Em companhias aéreas é comum vermos que a troca das milhas realizadas na central de atendimento tem custo de X reais, enquanto a mesma troca realizada na internet é isenta de custo. Esta diferenciação na cobrança tem o objetivo de direcionar o usuário ao canal que a empresa tem prioridade. É uma forma também de fazer com que os clientes que se utilizam de um canal mais oneroso arquem com esta despesa.
E as receitas indiretas? Estas são receitas advindas do negócio principal da empresa, porém só existem em função do programa de fidelidade.
Um dos princípios do planejamento de um programa de fidelidade é de que, ao ser lançado, as premiações não podem parecer inatingíveis. Por outro lado, se todos os clientes forem capazes de resgatar prêmios sem alterar o seu comportamento de consumo, o programa não gerará nenhuma receita adicional e seu custo será inviável.
Desta forma, os prêmios precisam ser atrativos e desafiadores, para que os clientes sintam-se instigados a consumir mais, para acumular mais pontos e resgatar melhores prêmios.
Este incremento de receita gerado pelo desejo de acumular mais pontos é uma receita indireta do programa de fidelidade. Se não fosse pela existência do programa, o cliente não teria consumido aqueles 5% a mais, por exemplo. Mensurar o incremento de receita gerada através do programa de fidelidade é extremamente difícil e só pode ser feita se, previamente à implantação do programa, a empresa contar com um BI (Business Intelligence) que seja capaz de fornecer os dados necessários a esta análise.
Como exemplo, vamos simular um incremento de receita de 1,5% em uma empresa que fatura cerca de R$ 8,8 milhões mensalmente. Este incremento representa R$ 132 mil. Esta é a receita adicional equivalente ao exemplo do artigo de provisionamento, em que eram distribuídos 5,45 milhões de pontos, ou R$ 60 mil de provisionamento.
De forma bem simplificada, podemos dizer que a implantação do programa nesta empresa tem apresentado um resultado da ordem de R$ 70 mil/mês.
Com este exemplo verificamos que é possível desmistificar o conceito de que o programa de fidelidade é uma “despesa necessária”. Será uma despesa necessária quando implantado sem critério. Um programa de fidelidade planejado, orientado ao cliente, e continuamente avaliado pode representar uma importante fonte de resultados!
Abraços e boa semana.
Oi Leandro,
ResponderExcluirDas receitas citadas, acredito mais nas receitas indiretas geradas por um programa de fidelidade, que são mais difíceis de mensurar. A maior parte dos programas acaba "abrindo mão" das receitas diretas. Ou seja, medir o resultado de um programa de fidelidade não me parece nada fácil!
Oi Fernanda,
ResponderExcluirPrimeiro gostaria de agradecer o seu comentário.
Você tem razão ao dizer que as empresas optam por "abrir mão" das receitas diretas. Entretanto, vejo isso como uma fase de transição. Os programas estão sendo cada dia mais comuns e há ferramentas disponíveis no mercado de todos os tipos e tamanhos para operacionalizar um programa. Nisto que eu chamo de fase de transição você encontra um cliente da classe A, que era tido como exclusivo há poucos anos, tendo que dividir a atenção da empresa com um novo cliente oriundo das classes B e C, que passaram a ter uma maior importância no mercado e atualmente cobram por privilégios e serviços antes restritos aos clientes exclusivos.
Com isso, as empresas devem se reorganizar e repensar as suas estratégias de negócios, pois o cliente que antes era o exclusivo quer continuar sendo exclusivo e, muitas vezes, está disposto a pagar pelo diferencial. Sendo assim, porque abrir mão da receita direta? Se meu cliente está disposto a pagar 50 reais a mais na anuidade do seu cartão de crédito para ter direito a resgatar passagens aéreas, enquanto no meu programa normal eu não cobro nada, mas não ofereço passagens aéreas, porque não incluir as passagens e cobrar os 50 a mais?
Com isso, a empresa passa a ter programas categorizados e clientes satisfeitos em todos os níveis.
Acredito que em poucos anos isso será uma prática comum no mercado, especialmente porque a empresa poderá oferecer um serviço isento de programa de fidelidade por um preço menor, uma vez que as receitas diretas estão sustentando os custos do programa.
Abraços e espero mais comentários seus.
Olá Leandro,
ExcluirGostaria de saber se você tem algum artigo que trata desse assunto de forma geral para contabilização - aquisição do pontos (pela empresa que distribuirá), entrega ao cliente e resgate do cliente.
Abraços e desde já obrigada